O mundo viral das séries é algo que tem tomado proporções inimagináveis e vem conquistando um público fiel por todo o país. Da mesma forma, o público alagoano vem se destacando quando o assunto é o audiovisual e tem se engajado ainda mais ao tema.

O viral das séries é um fenômeno que atingiu a nova geração, fazendo com que as produções audiovisuais rapidamente se difundisse, atraindo cada vez mais público. Isso possibilitou que a rede de debates crescesse ainda mais, o que gera muitos comentários entre os fãs e amantes do audiovisual. A ânsia pela opinião das pessoas é o que vem levado a criação de fóruns para a discussão de teorias e relatos de acontecimentos dos episódios. Até mesmo aplicativos, como o TVLine, foram criados para suprir a necessidade desse público ávido pelas linhas escritas e faladas sobre as tramas e personagens, viabilizando na internet que eles obtivessem espaço para fazer comentários e até dar notas às séries.

O crescimento do debate sobre esses assuntos possibilitou também a criação de veículos especializados sobre eles. É o caso do Canal Bang, um blog de entretenimento alagoano voltado para o público geek que cobre todos os eventos envolvendo o assunto no estado. “Eu acho muito importante debater, primeiro pelo lado fã porque sempre vão surgir vários argumentos, seja na série mais fantasiosa, que é o caso de Stranger Things, cheio de referências a quem viveu a década de 80, ou a mais próxima à realidade, como House Of Cards, que mostra muito esse lance dentro do governo, da política. Além de ser um excelente meio social no círculo de amizades que as pessoas têm, as séries hoje em dias unem pelos debates que elas causam”, ressalta um dos criadores do canal, Thales Hill.

Esse viral se tornou uma febre entre o público. Em 2017, a TV americana produziu mais de 480 produções. Já nos canais de streaming, 117 séries estiveram no ar mostrando que não há espaço para o esgotamento de possibilidades. Dependendo da série, da divulgação, de como ela é feita e se tem gancho para os próximos episódios, o público reage com um interesse imenso. É o caso de Game Of Thrones, que a cada temporada faz um trabalho de divulgação com investimentos de milhões de dólares, o que acaba retornando com o interesse do público na produção, onde cada episódio é praticamente um filme. Outras séries, no entanto, experimentam o contrário com sua audiência e interesse do público caindo cada vez mais, como é o caso de The Walking Dead, taxada como a pior série de todas em um prêmio da revista Variety dos Estados Unidos.

“Eu observo que as séries hoje causam no público um furor. Antigamente, numa mesa de bar, se conversava sobre futebol, hoje se conversa muito sobre séries. Seja você um nerd ou um simpatizante da cultura pop, você acaba entrando na conversa e discutindo como se discutia novela na década de 90. Os virais que elas fazem com seus pequenos vídeos de divulgação, com os teasers das próximas temporadas, causam uma expectativa nas pessoas que gostam de assistir, nos fanáticos por séries e eles retribuem com várias discussões, criação de teorias e com canais de YouTube e sites de entretenimento discutindo o tema. O viral hoje causa bastante nas pessoas, sejam fãs de séries ou não. Elas causam tanto ao ponto de virar notícia e assunto em qualquer conversa”, relata Thales.

A empresária Ana Paula Komninos também começou a se relacionar com as séries a partir do grande viral e das novas práticas adotadas para assistir esses produtos. “Eu acompanho série desde Lost, que para mim foi o precedente porque foi quando começaram os fóruns, as pessoas fazerem teorias e acho que isso que é o legal. Ter uma série que cria teoria, que todo mundo conversa sobre, está todo mundo falando nas mídias sociais, blog, canal do YouTube que fala de série, é uma coisa que é tremendamente viral. Eu acho que a gente tem muito seguidor nas nossas redes porque é uma coisa que as pessoas se interessam muito. Não tem jeito, série é coisa do futuro”.

As 15 séries mais assistidas de todos os tempos!

*A classificação foi feita pelo site internacional IMDB

  1. The Walking Dead
  2. Game Of Thrones
  3. Supernatural
  4. The Big Bang Theory
  5. Arquivo X
  6. E.R Plantão Médico
  7. Prison Break
  8. Lost
  9. Dr. House
  10. Seinfield
  11. Stargate SG-1
  12. Star Trek: The Next Generation
  13. Twin Peaks
  14. 24 Horas
  15. Sex And City

Um bar para a cultura geek

Na vibe da temática, um estabelecimento foi criado para alimentar ainda mais o estômago dos amantes das séries que estão sempre em dia com os debates e os acontecimentos das tramas

Cardápio contendo os spoilers e histórias das séries que serviram de inspiração. (Foto: Wagner Santana)

Recentemente em Maceió foi inaugurado o The Spoilers Bar, um estabelecimento voltado para a cultura geek que vem conquistando o público por seu diferencial. Recheado de influência das séries, o bar é todo montado a partir de fatos icônicos das atrações audiovisuais.

A cada canto que se olha tem alguma inspiração presente, desde os espaços da McLaren´s Pub de How I Met Your Mother, do Central Perk de Friends ao palco Glee e a decoração de diversas outras séries. O cardápio é um verdadeiro livro com cada prato tendo a referência de que série, qual temporada e qual episódio ele se encontra, além de explicar o contexto referente a eles. Os garçons são os verdadeiros apresentadores que explicam o prato para os desavisados de plantão e se vestem de personagens icônicos das séries.

Se não tá a fim de tomar spoiler, esse é um lugar praticamente impossível de se conviver. O cardápio tem a última página para que seus visitantes possam escrever o que acontece nas suas séries favoritas e o papo sobre série é impossível de ser evitado entre as mesas. No domingo é dia de maratonar e é fácil encontrar alguém explicando o que está acontecendo a um amigo atrasado e combinando o prato e o drink com a série que está passando na TV.

Esse de fato é um bar que chama atenção por ser diferente dos outros, algo que os próprios donos Ana Paula Komninos e Carlos Alberto de Almeida já planejavam desde a concepção do projeto. “Nós tivemos várias ideias no começo e terminamos optando pelas séries, porque a gente gosta muito de série, é uma coisa que todo mundo gosta. Eu costumo falar que minha filha que tem 13 anos e meu pai que tem 70 anos assistem série, é algo que chama a atenção do público em geral. Além de ter muito material para trabalhar. A gente queria que as pessoas vissem que o lugar teria as coisas que elas gostam, que elas se identificam e que gostam nos personagens. A inspiração foi essa. Eu brinco até que a inspiração fui eu mesma, porque eu adoro séries, sou apaixonada, nem assisto mais TV aberta”, explica Ana Paula.

E justamente pelas séries terem tomado a atenção dos telespectadores em geral que a ideia do projeto tomou proporções maiores do que imaginada. Pensada também para o público geek da cidade, o assunto atraiu muito além desse nicho, despertando também a curiosidade daqueles que não se identificam com essa denominação. O tema séries foi para muito além do estereótipo e hoje é popular entre pessoas de diferentes classes e idades. O bar, por ter elementos de séries mais conhecidas, consegue aumentar ainda mais a recepção das pessoas ao estabelecimento, pois é mais fácil a identificação. A ligação com as redes sociais abrange mais público, que interagia com o bar antes mesmo de sua inauguração.

O apelo visual das histórias que estão sendo contadas foi o que fisgou Ana Paula a montar um bar voltado para as séries que mais fazem sucesso atualmente. “Quando a gente pensou no The Spoilers nós sabíamos como esse mundo era impressionantemente grande, principalmente as séries que tem mais destaque. A gente sempre tenta se basear nas séries que tem mais apelo visual, isso faz com que viralize muito. Por exemplo, Stranger Things tem muitas coisas visuais que a gente vê e liga à série, La Casa de Papel que foi um boom com a música, as máscaras, os macacões... Já séries como How To Get Away With Murder não tem tantos elementos para se trabalhar visualmente, apesar de eu gostar muito”, salientou.

Por ter uma localização privilegiada, outro público que vem sendo atraído pela ideia são os turistas que já conhecem o bar através das redes sociais e colocam o The Spoilers em suas rotas de turismo na cidade. Ana Paula explica que vem recendo um feedback dos visitantes sobre o estabelecimento e que isso os inspira ainda mais. “O bar foi feito para o público alagoano, mas a gente está sentindo muita recepção de quem é de fora. Tem muita gente que chega aqui falando que queria que tivesse um bar assim na cidade deles. Bares têm muitos, mas a ideia em si era fazer um bar diferente, que talvez várias cidades precisem, e aqui como temos muitos turistas e a população em geral abraçou a ideia, a gente pensou que todo mundo aprovaria”.

Drink inspirado na série Breaking Bad. (Foto: Wagner Santana)

Os empresários ressaltam que a ideia foi concebida como uma forma de propiciar uma experiência completa de imersão dentro do universo. “O bar, por ser temático, tem um apelo muito grande, pois as pessoas vêm porque dá para tirar muita foto, porque o cardápio conta as histórias das séries... É algo que a gente queria oferecer, ser além de ir para o bar beber e comer, mas sim ter uma experiência completa de imersão”, salienta Ana Paula. Com uma programação envolvendo jogos, karaokê do Glee e as maratonas de séries, essa foi a forma que eles encontraram de ampliar ainda mais a experiência vivida dentro do bar. “Ela está ali se vendo com o copo de Breaking Bad e pensa que pode estar dentro do universo da série realmente. Eu acho que isso é a grande diferença, as pessoas poderem viver isso dentro de um bar, uma experiência diferente junto à decoração e as comidas pensadas para isso”, explica.

O debate é outro ponto que amplifica ainda mais o sentido de ter um bar com o tema voltado para as séries. Apesar dos debates já acontecerem em outros lugares, os donos do local percebem que o bar ficou um lugar mais específico para isso. As pessoas comentam sobre todos os spoilers que encontram pelo bar e já é percebido que no dia das maratonas as pessoas aderem realmente e vão até o The Spoilers para acompanhar as séries ao invés de assistir em casa. “A gente tem a quarta feira dos jogos, que as pessoas podem ficar jogando, a gente até incentiva o debate. Nós estamos tentando implantar um quizz de série para as pessoas debaterem. O piso do bar é o mapa dos reinos de Game Of Thrones, estamos pensando em fazer algumas brincadeiras com ele tipo perguntar onde aconteceu tal coisa, onde estava tal personagem na temporada tal”, diz Ana Paula.

Eles ainda apontam o fato das séries estarem sempre em constante mudança, com novos lançamentos e virais, serem benéficas para a ideia do projeto que passará por mudanças a fim de preservar o intuito da experiência de imersão. “As séries são um material de trabalho muito rico, tanto para criar os pratos como na decoração. Eu não preciso ficar presa no mesmo formato durante cinco anos, por exemplo, eu consigo mexer no cardápio, na decoração, porque a série permite que a gente possa trabalhar com isso. A gente não vai ficar sendo sempre a mesma coisa, então as pessoas quando vierem terão sempre novas experiências, com mudanças completas no bar”, explica a empresária.

As críticas e suas representatividades

Com o avanço de discussões sobre dramas vivenciados na vida real, as séries buscam ainda mais incluir o público nas temáticas propostas por elas

As críticas sociais tem sido o grande destaque das produções, pois as séries incorporaram no seu modo de fazer assuntos necessários de se discutir na sociedade atual. Esse fenômeno, no entanto, não é novidade no mundo do entretenimento e já vem sendo usado há um bom tempo. Tudo isso vem sendo abordado dentro das séries, às vezes mais sutilmente e às vezes de forma mais clara como uma forma de protesto do próprio roteirista ou do diretor.

Na visão de Thales, do canal Bang, o incentivo a essa prática é válido, porém nada em demasia desperta o interesse e pode se tornar enfadonho. “Eu acho bacana porque é um assunto que vai ser debatido depois em uma roda de amigos e fica como uma forma de protesto mesmo, mediante a situação, que fica de alerta para a população de alguma forma, mostrando que aquilo está errado, seja o aquecimento global, o preconceito racial ou de gênero e o machismo. Eu acho que tem que se manter isso sim, mas não tem que ser forçado, porque se todos os episódios de séries fosse assim, eu como fã e nerd acho que ficaria chato. Acho que tem que às vezes escapar das críticas sociais e criar uma coisa mais fantasiosa, como tem várias por aí que fazem muito sucesso”, notabiliza.

Existe também a questão do debate estar ligado diretamente à audiência, como se as séries só gerassem comentários porque estão em alta. O estudante e redator do site alagoano Bora Assistir, Pedro Vianna, se mostra ligado no mundo atual das séries e diz como os produtores estão atentos aos comentários que os fãs fazem e quais personagens estão defendendo. “Existe muita coisa acontecendo politicamente no mundo e tem séries como American Horror Story Cult que fala sobre política, fala sobre situações que acontecem no dia a dia. Por exemplo, o esfaqueamento do candidato Bolsonaro, as pessoas estão comparando com enredo da série que falava sobre um possível líder político fundamentalista com ideias muito retrógradas em que ele forja um atentado na frente das pessoas e acaba ganhando a eleição. As pessoas fazerem essa comparação com uma série em que a temporada foi feita para fazer as pessoas pensarem sobre a eleição de Trump nos Estados Unidos. É no mínimo curioso e tem a sua importância, porque realmente atinge as pessoas, fazem pensar e debater de uma forma que elas também estão tendo entretenimento ativo, algo mais consciente”, afirma.

O assunto que é abordado na produção se torna parte essencial do tipo de público que a série quer atrair para discursão. “As críticas sociais ganharam muito espaço pelos movimentos que estão ganhando visibilidade, apesar da gente estar vivendo um momento de muito retrocesso, como por exemplo, na presidência dos Estados Unidos, movimentos sociais como o Me Too, que envolve as mulheres, Black Lives Matter, que defende os negros, todos esses movimentos ganharam muita força nos últimos anos e isso se reflete também nas séries. As pessoas querem falar sobre um tema que está muito vigente, elas querem comentar sobre, os produtores sabem que isso vai gerar hashtag no Twitter, que isso vai gerar bussines para suas séries”, diz Pedro.

Cena da série La Casa de Papel. (Foto: Netflix)

A representatividade é outro lado que as críticas sociais proporcionaram dentro do universo das séries. Cada vez mais as produções estão investindo em personagens que atraiam todo o tipo de público e que abre precedentes para o debate da necessidade das pessoas se verem representadas nas telinhas. Por outro lado é fato de que esse mundo é movido pelo dinheiro e que, às vezes, essa quebra de tabus é movida somente pelo retorno financeiro que essas narrativas trazem para as emissoras. “Não é só porque eles são bonzinhos que vão botar um personagem LGBT por questão de representatividade, mas sim para ganhar visibilidade porque eles sabem que vários movimentos cresceram e fazem as pessoas assistirem e apoiarem as séries. Por exemplo, é cada vez mais comum séries adolescentes ter um personagem LGBT, o que é muito bom e importante, temos que valorizar mesmo, mas a gente sabe também que não é só por bondade e sim porque tem interesse financeiro por trás também. Reconheço que existe a parte do puro entretenimento só para chamar atenção, puro sensacionalismo que toda produção tem, só que umas têm mais e outras menos. O que importa é que faz as pessoas pensarem sobre as coisas que estão acontecendo atualmente”, destaca o estudante.