Em 2009 chegava à televisão uma série que conquistaria milhões de fãs pelo mundo. Seu inicio despretensioso cresceria exponencialmente por oito temporadas, e entre altos e baixos, teria seu fim injusto em 2016, numa onda descontrolada de cancelamentos da ABC. Estamos falando de Castle, e a parceria entre Stana Katic e Nathan Fillion. 

Richard Castle é um escritor de sucesso especializado em thrillers policiais. Após uma série de crimes inspirados em seus romances, ele desperta a atenção da polícia. O contato com agentes da lei faz com que Castle comece a trabalhar em um novo livro. E para fazer uma pesquisa para o novo projeto, ele assume a função de consultor da polícia de Nova York, atuando lado a lado com a detetive Kate Beckett e seus parceiros Javier Esposito e Kevin Ryan.

Castle era uma série muito pautada pelo sentimental, e não se preocupava em trazer inovações para o gênero. Talvez por isso, tenha conquistado um certo espaço. Pois ela se preocupava apenas em contar a história que trazia, em arcos interessantes, dramáticos e também engraçados, e tendo diversas referências a cultura pop. Nathan Fillion, um geek assumido como nós, enchia a tela com seu carisma e poder de atuação, e ao lado de Stana Katic, uma atriz diferenciada e potente, os dois formavam uma dupla imbatível.  

Cada fã de Castle tem um motivo para gostar tanto da produção. Eu, particularmente, me identifiquei até demais com a trama. Acho isso um ganho muito interessante para qualquer produto audiovisual. Se seu espectador sente e consegue entender a história, tendo ou não, passado por situações semelhantes, fica muito mais fácil trazê-lo para esse mundo único. 

Castle chegou ao Brasil em 2012, quando foi ao ar nas madrugadas da Tv Globo. Eu não sabia da estreia da nova série, mas nesse dia, decidi ficar acordado até mais tarde assistindo televisão. Eis que começa uma série desconhecida. Castle. Era o piloto. A história foi se desdobrando e eu fui me identificando, estranhando as situações muito familiares. Ora, eu, escritor como Castle, já tinha aí um ponto de identificação muito fácil. A coisa "piorou" quando surgiu Kate Beckett, uma mulher de personalidade forte que vivia em um mundo totalmente diferente de Richard. Beckett tinha uma visão sobre a vida que era muito própria e dura. E nessa distância de visões, ela e Castle protagonizaram um romance complicado. Bem, minha namorada na época, não era detetive como Kate, mas tinha uma personalidade extremamente forte e praticamente discordava de tudo o que eu afirmava, e odiava as coisas que eu amava. Soa familiar... 

Enfim, a série tinha um arco maior que era explorado por temporada e não por episódio, que tinha em si um arco próprio, que agregava aos poucos para essa trama de temporadas. Em sua essência, Castle trabalhava com o imaginário do público. Quem se imaginou quando criança investigando crimes, procurando pistas, fingindo ser Sherlock Holmes, com certeza se identifica com a série. A possibilidade de um escritor de ficção poder acompanhar casos de polícia e ainda ajudar a resolvê-los é incrível! Além disso, a série conta com um "Quê" de humor sutil que cai como uma luva no enredo. E entre os crimes por Nova York, temos tensões na delegacia, infiltrados corruptos na corporação, um milionário exibido tal como Tony Stark - Castle - e uma detetive obstinada a fazer da cidade um lugar mais seguro, junto com seus amigos de trabalho.

Ao longo das temporadas, seguíamos a vida de Richard e Kate em um romance de indas e vindas, com muitos momentos de amor e mistérios. A detetive tinha um passado trágico, onde perdera a mãe por culpa da corrupção na polícia, e Castle a ajudava a investigar os responsáveis por isso, mergulhando cada vez mais em um perigo constante. Quando finalmente se resolve tudo isso, Castle é quem passa a abrigar o mistério e situações de risco, dando uma virada na série que era inesperada. No entanto, a emissora anunciou o cancelamento da produção no ano em que essa virada no roteiro estava acontecendo, e para manter a saga dos personagens, os roteiristas optaram por espremer as resoluções para entregar - mesmo que de forma mais pobre - uma jornada com um ponto final para os protagonistas. 

ABSENTIA

Após 7 anos no papel de Kate Beckett, Stana Katic volta como Emily Byrne, uma agente do FBI que assume a difícil missão de capturar um dos assassinos mais perigosos de Boston, mas, durante as investigações, ela acaba desaparecendo sem deixar pistas. Seis anos depois, ela é encontrada quase sem vida e sem memória dentro de uma cabana no meio da floresta. Ao voltar para a sua vida normal, no entanto, Emily descobre que além de seu marido ter se casado com outra mulher, levar uma vida longe de casos criminais será um sonho distante para ela. 

Imagine acordar na cama de um hospital, completamente assustada depois de sofrer diversos tipos de tortura para, então, reencontrar sua família e descobrir que você havia desaparecido por 6 anos. Seu filho, agora, já é maior que do que você lembrava e você não esteve presente em grande parte da vida dele. Seu marido agora é casado com outra mulher. Você perde seu chão. Essa é Emily Byrne e é entre flashbacks e lembranças que somos introduzidos ao inferno que ela passou durante estes 6 anos em que esteve sumida. 

Após uma série de flashbacks de uma família extremamente feliz, somos introduzidos a uma personagem presa em um tanque de água sendo afogada depois de levar bastante socos no rosto. Pelo corpo mais marcas de outras diversas agressões. E, então, nos vemos numa sala de tribunal onde Conrad Harlow é preso pelo homicídio da detetive do FBI Emily, e condenado a prisão perpétua. Harlow era um serial killer procurado pela polícia e tinha como marca registrada arrancar as pálpebras de suas vítimas. Mas o corpo de Emily não foi encontrado. Harlow não revelou a localização do corpo, nem mesmo quando em desespero Nick vai atrás dele no tribunal para tentar encontrar o corpo de sua esposa, agora morta. 

THE ROOKIE 

Mesmo depois de oito longas temporadas de Castle encerrada em 2016, e uma dezena de outras aparições e participações desde o fim a série, Nathan Fillion não hesitou quando recebeu o convite para interpretar o protagonista de The Rookie. Em sua nova série, Fillion, vive John Nolan, um novato bem diferente dos demais da Polícia de Los Angeles. 

Ele começou na polícia mais tarde, e seu principal desafio é se sentir confortável no meio de vários colegas de 20 anos. Segundo a entrevista que concedeu ao Entertainment Weekly, o que fez com que o ator abraçasse o papel sem nem pestanejar foi puramente seu amor pela profissão. Ele é tão apaixonado pelo universo televisivo e audiovisual que, do alto de seus 47 anos, não lhe falta disposição para encarar longas horas de filmagem, uma rotina intensa entre um set e outro e animação para gravar de terno no calor de Los Angeles.  

"Em meus piores dias, não há nenhum lugar onde eu preferiria estar. Eu vi todas as peças do quebra-cabeça se juntando e tinha todas as pessoas com quem eu queria trabalhar envolvidas novamente, então por que dizer não?", conta.

Ele se refere a Alexi Hawley, produtor-executivo de Castle que chegou até Fillion com uma ideia que não estava nem no papel ainda, mas logo de cara o convenceu. Uma vez que o ator topou, a ABC imediatamente encomendou a série, sem nem precisar de um piloto. 

Depois de tanto tempo juntos em Castle, Stana e Nathan seguiram caminhos diferentes no mundo das séries. Agora, cada um deles tem seu próprio programa e por mais que a gente sinta saudade de vê-los juntos, serve de consolo assisti-los nessa nova fase da vida. 

Bora Assistir Castle, Absentia e The Rookie?