O grupo sul-coreano BTS se pronunciou, nesta terça-feira (30), contra os ataques e racismo a asiáticos que vem acontecendo, em carta aberta, um dos maiores fenômenos da música atual afirmou: "Todos nós temos o direito de ser respeitados".

"Enviamos nossas mais profundas condolências àqueles que perderam seus entes queridos. Sentimos tristeza e raiva", começa o comunicado, que foi escrito em coreano e inglês. "Relembramos os momentos em que enfrentamos discriminação por sermos asiáticos. Suportamos xingamentos sem motivo e fomos ridicularizados por nossa aparência. Fomos questionados até mesmo sobre o porquê de asiáticos falarem em inglês".

Recentemente, outras celebridades de origem e descendência asiática também se pronunciaram. A atriz canadense Sandra Oh,  fez um discurso no protesto Stop Asian Hate.

"Estou muito feliz e orgulhosa por estar aqui com vocês. Obrigada a todos os organizadores por organizarem isso apenas para nos dar a oportunidade de estarmos juntos e estarmos juntos e nos sentirmos uns aos outros", disse a artista.

O protesto ocorreu em 20 de março, em decorrência de um tiroteio que ocorreu dia 16 de março, em Atlanta, nos Estados Unidos. O crime ocorreu em um local próximo a spas de massagem, deixou oito mortos, sendo seis mulheres de origem asiática. Um homem branco confessou o crime.

Outras celebridades como o DJ Steve Aoki, Daniel Dae Kim utilizaram a hashtag #StopAsianHate como forma de protesto. O ator Steven Yeun, que esteve "Minari" (2020) e o diretor Simon Liu, que teve trabalhos como "Signal 8" (2019) também falaram sobre a divulgação da violência anti-asiática.

Recentemente, o BTS foi reconhecido como maior artista global de 2020 pela IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica). A homenagem anual reconhece a popularidade mundial de um artista ou grupo em streaming e vendas, incluindo vinil, downloads e CDs. O grupo ficou a frente de nomes como Ariana Grande e Justin Bieber, e fez história ao se tornar o primeiro grupo asiático a conquistar a primeira colocação.

Confira a tradução da carta:

“Enviamos nossas mais profundas condolências àqueles que perderam seus entes queridos. Estamos de luto e sentimos raiva.

Relembramos momentos em que enfrentamos discriminação como asiáticos. Suportamos palavrões sem motivo e fomos ridicularizados por nossa aparência. Fomos até questionados por que os asiáticos falavam em inglês.

Não podemos traduzir em palavras a dor de nos tornarmos alvo de ódio e violência por tal motivo. Nossas próprias experiências são incongruentes em comparação com os eventos que ocorreram nas últimas semanas. Mas essas experiências foram suficientes para nos fazer sentir impotentes e destruir nossa autoestima.

O que está acontecendo agora não pode ser dissociado de nossa identidade como asiáticos. Levou um tempo considerável para discutirmos isso com cuidado e refletimos profundamente sobre como devemos expressar nossa mensagem.

Mas o que nossa voz deve transmitir é claro.

 

Somos contra a discriminação racial.

Condenamos a violência.

Você, eu e todos nós temos o direito de ser respeitados. Ficaremos juntos”.

 

Stop Asian Hate, um movimento que pede fim aos ataques contra asiáticos, tem ganhado força nos últimos tempos. Isso porque os crimes de ódio à comunidade aumentaram significativamente desde o começo da pandemia. Somente nos Estados Unidos, foram 150% a mais desde o começo de 2020, segundo o Centro para o Estudo de Ódio e Extremismo do país. Para os pesquisadores, o racismo é reflexo da racialização do coronavírus influenciada por líderes como o ex-presidente Donald Trump.