Depois de uma variação considerável de rumo e qualidade, a série retorna ao padrão de excelência esperado. E mais do que isso, temos Mando encontrando algumas pessoas de seu passado, o que nos leva a construir um pouco mais da sua mitologia, ao mesmo tempo em que expande a concepção de Star Wars. 

Nesta nova aventura, o Mandaloriano precisa se reencontrar com outros caçadores de recompensas, visto que precisa de alguns favores de um deles. E nesse reencontro é que descobrimos um pouco mais sobre o homem por baixo da máscara. As coisas que ele já teve que fazer, e também os possíveis erros que já cometeu.

Um ponto muito positivo deste episódio é a função que ele tem no universo de Star Wars. Ele expande essa mitologia gigantesca sem se escorar no que conhecemos das obras cinematográficas. Com certeza por influência de Davi Filloni, o sexto capítulo suga algumas referências de Clone Wars, o que é muito bom, já que a série animada, - Clone Wars - tem um nível invejável de qualidade, principalmente no roteiro. Além disso, o texto volta a melhorar, deixando de lado o fator expositivo que tende a explicar tudo o que está acontecendo a todo momento. O roteiro é sucinto, objetivo e equilibrado, e apesar de não evoluir tanto assim o arco da série como um todo, ele serve pra levar adiante algumas definições de personalidade e de mitologia da própria série, e principalmente, do protagonista.  

A direção agora parece entender o conceito da série, e ao mesmo tempo em que constrói uma linguagem nova e particular da produção, mantém aquela aura de Star Wars, reconhecível em qualquer canto da galáxia. Aliada ao roteiro, temos um progresso impressionante, pois agora conhecemos um pouco mais do Mandaloriano, e não somente pelas cenas de ação muito bem feitas. Aqui, encaramos a sua capacidade de sobrevivência em um nível quase de MacGyver, onde ele tem que usar o que tem à disposição para conseguir se salvar. É bonito vê-lo usando a inteligência no lugar da força bruta. Condiz com que o personagem quer passar, e o peso dos Mandalorianos para a mitologia de Star Wars. Afinal, eles são guerreiros milenares, considerados os mais impressionantes da galáxia. Não se chega a esse patamar apenas com músculos. 

Bom, estamos há dois episódio do fim desta temporada, e novamente o Baby Yoda aparece para nos deixar morrendo de vontade de apertá-lo. Aqui, não há um avanço na construção do bebê mais fofo do universo, mas vemos ele um pouco mais consciente de tudo o que está ao redor. Ele já sabe em quem pode ou não confiar. Já sabe que tem poderes, apesar de não saber muito bem quais são. Ao que tudo indica, teremos esse mistério arrastado até a próxima temporada. Até lá, mesmo sem um propósito claro, continuaremos amando ver o Yodinha na tela, e a Disney sabe disso.