Quando Titãs foi anunciado pelo DC Universe, muitos fãs ficaram empolgados pelo que poderia vir com essa adaptação para o streaming. Depois das primeiras imagens de set e do primeiro trailer divulgado na San Diego Comic-Con do ano passado, esses mesmos fãs começaram a ficar divididos sobre o tom maduro e voltado ao terror que o seriado queria mostrar. Após o lançamento da primeira temporada, os espectadores conseguiram tirar suas conclusões finais sobre a adaptação, e o resultado geral foi bastante positivo (confira a nossa crítica da 1ª temporada), isso até o ultimo episódio da primeira temporada acabar com um gancho intrigante que veio se fechar agora, no inicio da nova temporada.

E DEU CERTO?

Muitos já sabem que o primeiro episódio da segunda temporada de Titãs seria na verdade o ultimo episódio da primeira, apenas com algumas novas cenas, e essa ideia - mesmo que evidente na questão estrutural do episódio - acaba se tornando um divisor de opiniões em relação à forma como ele se desenvolveu; mesmo que a trama ainda esteja muito atrelada ao arco dos episódios anteriores, ela corre atrás de fechar a história de Rachel/Ravena (Teagan Croft) e Dick Grayson (Brenton Twaites) de uma forma coesa e bem detalhada em certos pontos e preguiçosa em outros.

Em relação ao arco da Ravena e sua relação com seu pai – o vilão Trigon (Seamus Dever)– é possível enxergarmos um desses pontos, pois esse [Trigon] foi um personagem que veio sendo construído durante toda a primeira temporada, e a forma como o mesmo foi descartado desmereceu totalmente toda essa preparação, quebrando um pouco o clímax que ele criou anteriormente com essa ameaça tão poderosa. Em contrapartida, a caracterização de sua forma final de monstro foi um ponto muito positivo nesse episódio, mostrando que a série ainda se fortalece e se encontra melhor quando se trata do visual e tramas fieis aos quadrinhos de seus personagens.

Outro ponto divisor de opiniões (até então) é a forma como algumas soluções do roteiro acabaram sendo preguiçosas ou repetitivas nesse episódio. Exemplo disso está na forma que os personagens são facilmente manipulados pelos sonhos que o vilão coloca em suas cabeças. Nada contra utilizar dos medos e traumas dos personagens para nos mostrar um pouco mais de como suas vidas acabaram chegando a esse ponto, mas a forma como as coisas acontecem na trama acabam tornando esse método um artificio bastante arrastado por boa parte do episódio, e que também já foi visto em ação no ultimo episódio da primeira temporada. Os pontos positivos em destaque desse artificio nesse episódio estão nas performances de alguns dos atores como Conor Leslie (Donna Troy/Moça-Maravilha), que enche a tela com seu carisma e postura para lidar com situações difíceis da trama; e Curran Walters (Jason Todd/Robin), que rouba a cena sempre que aparece, mesmo em momentos em que ele precisa usar apenas sua expressão corporal, o ator se mostra muito bem dedicado a sua performance. Além disso, a resolução de como as coisas voltam ao normal acontecem de forma tão rápida que se salvam apenas pelo bom texto – que se dá graças a uma ótima equipe de roteiristas vindo dos quadrinhos – e pela entrega que os atores dão nessas cenas, dando principal destaque ao desempenho de Teagan Croft, que mostra que evoluiu bastante a sua Ravena do primeiro episódio até aqui, pois um simples toque de mãos e um discurso motivador poderia ser uma forma péssima de se consertar as coisas, mas no caso de Titãs, esse era o único jeito que a ocasião se mostrava plausível, abraçando o obvio dos quadrinhos e deixando isso ainda melhor.

Ao finalizar esse arco da temporada e de seus personagens (logo após mais da metade do episódio), a segunda temporada do seriado finalmente começa como se fosse uma grande cena pós-créditos com mais de 20 minutos, mostrando o que estaria por vir no futuro de seus personagens – como a jornada de Kory/Estelar (Anna Diop) para descobrir seu passado e Dick Grayson tentando reestruturar uma nova equipe de Titãs e descobrir de vez quem ele realmente é – e na introdução de um novo grande vilão: O Exterminador (Esai Morales).

A introdução do personagem foi rápida, mas veio com tudo ao mostrar um personagem aparentemente aposentado e que carrega um grande peso histórico (principalmente com os Titãs), e a atuação de Morales nesse começo foi completamente silenciosa, necessitando muito mais de ótimas expressões corporais do que falas, e isso foi o suficiente para despertar o interesse dos fãs sobre tudo o que pode ter acontecido até o momento em que ele vai ter que retornar e bater na porta dos Titãs mais uma vez, sendo um demônio que vai trazer a tona o passado de alguns dos membros dessa equipe, sendo assim um desafio não só na questão física, mas também no psicológico de muitos dos personagens nessa temporada – lembrando que os filhos de Slade, Rose e Joseph Wilson ( interpretados por Chelsea Zhang e Chella Man, respectivamente) também aparecerão no seriado como parte do arco do personagem.

QUESTÕES EM ABERTO

Alguns pontos que ainda ficaram em aberto nesse começo de temporada. Entre eles, vale se destacar a rápida aparição de Bruce Wayne (Iain Glen) junto a Dick Grayson, fechando um pedaço do arco do primeiro Robin e dando a entender que ainda podemos ver mais de Wayne na temporada aconselhando o seu antigo ajudante em sua jornada como herói e líder, mas não indicando em que momento essas aparições podem acontecer.

Outra questão deixada em aberto nesse começo de temporada é sobre a aparição do Superboy (Joshua Orpin), que foi apresentado rapidamente na cena pós-crédito da primeira temporada e foi completamente esquecido nesse começo do novo ano do show, mas é de se esperar que o personagem vá aparecer em breve nos próximos episódios.

A segunda temporada de Titãs está sendo exibida pelo DC Universe nos Estados Unidos todas as sextas-feiras.