Nos últimos anos tem ficado um pouco difícil acreditar nas séries da titia Ryan Murphy, principalmente naquelas que já são veteranas, Glee foi um sucesso mas falhou gravemente nos últimos anos, Scream Queens tinha um elenco com potencial muito grande, mas também não deu certo. Com American Horror Story é bem óbvio que a história foi um pouco diferente... Mesmo que as últimas temporadas não cheguem ao nível dos primeiros três anos, e principalmente, a quase perfeição narrativa de Asylum, a série conseguiu se renovar a cada ano e o fato de ser uma antologia claramente ajudou nisso.

Chegamos então ao final da temporada mais esperada da série, o que arrisco dizer que com um pouco mais de episódios poderia sim ser um series finale.

Apocalypse chegou morno, esquecendo um pouco a promessa do crossover imediato entre as temporadas mais pops da série, mas trazendo de fato uma história que foi se tornando interessante e claro, quase nos ludibriando com todos os elementos que a gente sempre amou dentro de um roteiro que não ajudou muito, ainda que tenha surpreendido positivamente a cerca de alguns aspectos dessa temporada em si.

Trazer os personagens de volta e criar uma continuação, principalmente dentro do universo de Coven em específico, foi o maior acerto de todo esse crossover. A narrativa da Murder House foi mais como uma desculpa de recriar a nostalgia do primeiro ano da série não deixando de cair também como uma luva para criar um perfeito antagonista.

Indo enfim para a trama do episódio em si. O melhor desse ep foi que toda a história tinha que se resolver logo e sem enrolações, até porque o tempo real já tinha sido gasto, né? Então... Myrtle já chegou quebrando tudo na sede da Cooperativa e não vou nem citar a discussão com a Venable porque ela nunca me desceu então eu não me importo com nada do que ela diz. Myrtle, através da força de seu poder e da Balenciaga, fez com que a dupla de cabelos de cuia colocasse três lugares para Coco no Outpost 3, e finalmente começamos a descobrir como ela foi parar lá.

De volta a cabana da Misty Day, o esconderijo do que restou do Coven, Cordelia conta as meninas o quanto é importante manter Mallory a salvo, por conta do potencial da bruxa de possivelmente salvar o mundo. A Suprema revela que vai fazer um feitiço de identidade em Mallory e Coco, para que elas sejam salvas no Outpost 3. Ambas tiveram suas personalidades mudadas e as antigas identidades e poderes abafados, é por isso que Coco era tão má com Mallory, pois assim ela reprimia sua verdadeira personalidade forte e com isso os seus poderes.

Depois de levar a dupla de bruxas com novas identidades para o salão do Mr Gallant como a melhor Uber de todos os tempos, Madison acaba descobrindo através de um anúncio que Dinah Stevens conseguiu se tornar uma apresentadora e deduz o que ela deu em troca para o satanás. Porém Cordelia pede que ela não faça nada pra que o plano do Coven não seja descoberto, mas na verdade a forma como Stevens teve seu troco foi bem mais satisfatória, mas isso falo um pouco mais pra frente...

E Enfim, o Apocalypse acontece e somos levados a uma das melhores cenas do episódio... O que foi as bruxas saindo de dentro da terra depois da explosão?

Melhor ainda foi a repetição da sequência do Coven retornando ao Outpost 3 e finalmente buscando vingança contra Michael Langdon. Voltamos a cena que foi parada antes de todos os flashbacks que montaram a maior parte da narrativa dessa temporada.

Cordelia conta a Mallory e Coco sobre suas verdadeiras identidades e Dinah Stevens mais uma vez mostra que a sororidade bruxa não existe pra ela e se junta a Michael, porém é ai que ouvimos uma voz conhecida vindo do escuro e a nossa verdadeira Queen Vodu aparece.

Marie Laveau explica que foi libertada de seu inferno pessoal em troca da alma de Dinah, “a Queen Vodu mais corrupta de todas”, e finalmente enfia o facão bem no pescoço da traíra. Mead robô que já preparava a sua metralhadora de jeová do satanás para matar as bruxas, explode pelos ares com um feitiço de Cordelia. Madison então aproveita a distração de Michael e metralha a poc numa cena mais fan service impossível que eu AMEI mesmo sendo super forçada. Enquanto Michael tá desacordado, Cordelia leva Mallory para tentar realizar finalmente o feitiço de voltar no tempo e resolver tudo, mas é claro que tudo dá errado.

Michael acorda e em um momento de distração de Madison, sua cabeça é explodida literalmente e a titia mais uma vez nos fez ver Madison morrer pra nada. O Filho do satanás então segue procurando por Cordelia, que está escondida com Myrtle e tentando fazer com que o feitiço se realize depois de Mallory ser ferida e estar quase morta.

Com o ferimento, Mallory fica ainda mais fraca e não consegue ter forças para realizar nenhum feitiço. Cordelia acaba percebendo o óbvio e decide se matar para que a bruxa recobre suas forças como a nova suprema e consiga finalmente realizar o Tempus Infinitus, mas não sem antes dizer tudo que a gente pensa na cara de Michael, lembrando o quanto ele é um menino mimado em um corpo adulto cheio de poder e também que ele sempre foi guiado por alguém, nunca tendo vontade e personalidade própria.

No melhor momento de fato desse episódio, Cordelia enfia uma faca em seu peito e aos gritos de Myrtle, morre.

Mallory então recobra a consciência e consegue finalmente voltar no tempo. Somos levados a adolescência do ainda sem tantos poderes, Michael Langdon,é então que Jessica Lange dá mais uma ponta de sua atuação brilhante e vemos o momento em que Constance coloca Michael pra fora de casa após ver que ele matou o padre. Enquanto atravessa a rua desolada, a poc jovem acaba sendo atropelada e Mallory que está perfeita e gótica no volante, passa por cima de novo pra ter certeza que Michael Langdon realmente estaria morto e não tentaria o Apocalypse.

O plano realmente dá certo, Mallory finalmente ingressa na Miss Robinchau’x Academy e tudo está como antes e ninguém lembra de nada. Cordelia está bem, assim como Zoe e Queenie, que também continuam vivas. Porém alguns efeitos colaterais nos lembram que nem tudo que teve a ver com a ascensão do filho do satanás, foi ruim, como o retorno de Myrtle que agora continua morta, porque Cordelia nunca teve a necessidade de trazê-la de volta para ajudar com os planos. Assim como Madison que continua em seu inferno pessoal, mas logo Mallory revela que vai trazê-la de volta, mas que antes ela precisa continuar lá mais um pouco para aprender com seus erros.

Misty Day retorna mais uma vez, porque agora Papa Legba e todos os outros demônios veneram Mallory pelo que ela fez. Então tudo está bem quando acaba bem se não fosse os malditos minutos finais de uma tentativa eterna da titia de terminar suas temporadas com um choque de monstro ultra plot twist brega.

Avançamos então até 2020, e vemos mais uma vez, Emily encontrar Timothy numa obra do destino, o futuro mostra que ela ficou grávida dele em um parto muito difícil e cheio de dor... algo familiar?

Mallory explica que o filho de satanás iria tentar outras vezes, aquela com Michael não seria jamais sua última. Então, em uma noite muito quente, após alguns anos e o filho já ser uma criança ainda pequena, o casal retorna pra casa e percebe que tem algo estranho. Nem preciso dizer quem eles encontraram morta e quem estava vivo, né?

Após isso alguém bate na porta e damos de cara mais uma vez com o trio da igreja do satanás incluindo o Black Pope e a Mead humana, com o mesmo discurso que apresentara a Michael lá no 8x06 "Return to Murder House".

Mesmo que a gente goste de reclamar, acho que no fim de tudo, um plot twist como esse era meio que esperado e pra falar a verdade não acho que tenha estragado esse último episódio. Confesso que não botava muita fé nessa temporada, principalmente depois do primeiro episódio... Porém, vendo como tudo se encaminhou e a surpresa de finalmente entender que realmente o roteiro, apesar de ruim, possui realmente uma profundidade e conexão significativa com os acontecimentos. Sem contar com as atuações, que no caso do elenco de AHS, geralmente não deixam a desejar e possuem o poder de transformar um roteiro não tão legal, em algo interessante.

Apocalypse Then” apresentou um final divertido, cheio de momentos eletrizantes e até emocionantes para os mais aficionados. Tentando explicar a trama da temporada, alguns deslizes foram feitos, mas nada foi muito forte ou grotesco. Os dois episódios anteriores a esse, mostraram uma narrativa fraca e arrastada que conseguiu ser recompensada com esse episódio final. Assim, a titia Ryan finalmente entrega a última ponta de uma temporada toda feita para presentear os fãs mais nostálgicos da série.

HIGHLIGHTS:

1 – Então cê quer me dizer que no episódio da Murder House, as mudanças feitas pela Madison e Behold incluindo a reaproximação da Violet e do Tate e a libertação da Moira foram em vão, Ryan Murphy? Sim.

2 – Precisamos enaltecer a cena do retorno da Marie Laveau e todo o deboche com aquelas tranças maravilhosas e o modo teatral de realizar os feitiços que só a Angela Basset sabe fazer

3 – Só deu pra sentir vergonha alheia pela pobre Kathy Bates na cena segundos antes da Mead ser explodida. Ryan Murphy, a senhora é uma bixa do mal

4 – Só queria que Cordelia lembrasse de tudo que aconteceu assim como Mallory, dentro do universo com o Michael morto e com tudo certinho

5 – E por fim, só queria deixar mil beijos pra todos vocês que me acompanharam até aqui. Nunca escrevi sobre American Horror Story, mas tentei entender a trama com todo o amor que sempre assisti a série. Espero que vocês continuem por aqui e até a próxima temporada!