Depois de três excelentes episódios onde a série tinha um foco muito claro em seguir sua jornada através de sutilezas e avançando a narrativa mais com gestos e recursos expressivos do que propriamente com diálogos, fomos surpreendidos por um episódio que abandona esses traços. Essa ruptura no padrão, resultou em uma queda notável de qualidade que não esperávamos. 

No quarto episódio, Mando leva o Baby Yoda para um planeta distante dos holofotes, para que os dois possam ficar afastados de todo o caos causado por seus atos. Nessa busca por um lugar tranquilo, o Mandaloriano encontra uma vila aparentemente pacífica. Ao longo do episódio, acompanhamos o guerreiro em duas situações muito comuns em filmes de faroeste e de samurais, no que diz respeito a relação entre forasteiros que chegam em determinado lugar para livrar o povo, geralmente pobre, de uma grande ameaça opressora.

Em um primeiro momento, vemos Mando chegando em um local cheio de caçadores de recompensas e forasteiros, uma espécie de bar. É neste local que ele se depara com Cara Dune, personagem de Gina Carano. A sequência do encontro dos dois é bem abaixo do esperado. Tanto pela atuação, quanto pelo roteiro extremamente expositivo, óbvio e pobre. O texto da série passa a querer explicar tudo o que está acontecendo, quebrando totalmente o padrão dos episódios anteriores. O que era "revelado" por meio de gestos, contexto, ambiente, direção de fotografia, de arte e a própria direção, passa a ser dado pelo diálogo, perdendo a intensidade, sutileza e profundidade.

Seguindo adiante, temos Mando e Baby Yoda já acolhidos na vila. O baby é super querido e bem cuidado. O Mandaloriano se sente bem e confortável com o lugar e um interesse amoroso começa a surgir. Todo o envolvimento emocional é dado através das falas, que insistem em explicar o passado e a família de ambos, o que torna tudo muito fraco e desprezível. Mais ainda, quando já próximo do fim do episódio, a líder da aldeia, par romântico do Mandaloriano, decide tirar o capacete do forasteiro, em um clima super clichê e brega, e Mando a impede de continuar e revelar seu rosto. 

É um deslize que pode não afetar a série inteira, mas acende um alerta amarelo sobre o que teremos a seguir. A produção que vinha seguindo um tom intimista e introspectivo, em um ritmo cadenciado, mais lento e sutil, abre mão de tudo isso e despeja uma cachoeira de diálogos ruins e autoafirmativos, com escolhas de direção questionáveis e elementos desnecessários para a trama. 

O que se pode concluir desse episódio é: O Baby Yoda rouba a cena mais uma vez e as cenas de luta são muito bem coreografas, fotografadas e dirigidas. Elas realçam a simbologia de Star Wars, trazendo uma nova perspectiva sobre todo esse universo, nos lembrando sempre a qual mundo estamos inseridos e como ele é vasto, diverso, rico. A série tem muito a oferecer e já está na metade de sua jornada. Agora temos dúvidas sobre a qualidade como um todo, mas as impressões são positivas. É inegável que há uma amadurecimento no que tange a estrutura das séries que temos atualmente. Colheremos bons frutos.