play_arrow
Assista ao trailer: Game of Thrones | Season 8 Episode 3 | Game Revealed (HBO)
videocam

O medo é um sentimento que faz a gente agir da maneira mais humana possível, ainda que isso signifique uma possibilidade gigantesca de reações ao que estamos temendo. Quando a morte significa o futuro mais possível e real, isso se intensifica e tudo que está ao redor, perde ou ganha importância numa escala monstruosa.

É isso que Game of Thrones apresenta nesse episódio, tudo ou nada, ainda que com alguns medos de arriscar para uma série tão decididamente sanguinária mas que não perde nenhum ponto quando se trata da fidelidade à sua maior identidade, a construção do medo e de todas as possíveis sensações que o espectador pode sentir assistindo a uma série de TV.

A tensão está presente em todos os elementos apresentados; A primeira cena de Sam em meio aos exércitos preparando a linha de combate, foi perfeita pra nos situar no episódio e vê-lo literalmente tremendo e perdido com tanta coisa acontecendo colaborou ainda mais para um sentimento de aflição para o que estava esperando à espreita.

Um ponto interessante do episódio é que a concentração na batalha em si era tão grande, que houveram pouquíssimos diálogos, isso ficou muito evidente principalmente no começo do episódio. Eles precisavam nos apresentar o campo de batalha e todo o exército dos vivos, incluindo nossos personagens amados que estavam no frontline e correndo sério risco. A primeira quebra nesse clima, ou também uma adição a tensão, foi a chegada surpresa de Melisandre em seu cavalo, calma e com aquele seu ar onisciente que todo mundo já conhece. A Red Woman chegou representando a magia “Boa” da série, invocando o Senhor da Luz e acendendo todos os arakhs dos Dothrakis, apresentando uma das cenas mais lindas do episódio inteiro. Porém, o que serviu como literalmente uma luz em toda aquela escuridão resultou em uma das cenas mais assustadoras do episódio e até da própria série.

Quando as luzes dos Dothrakis apagaram-se tão rápido, deu pra entender de forma mais alarmante o quanto os walkers representam um perigo desconhecido.

Houveram várias reclamações a respeito da iluminação do episódio, no entanto o fator proposital que levou os produtores a tomarem essa decisão a explica, por si só e também pela construção do roteiro da série por todos esses anos. A intenção estava presente o tempo todo, desde o nome do episódio, que literalmente chamou-se “The Long Night”, a todas as indicações possíveis dentro e fora da série (no caso, nos livros) de que esse momento traria a escuridão, ainda que isso possa ser compreendido de uma forma metafórica, porém ver como eles usaram de uma maneira real foi muito interessante e contribuiu bastante para a tensão construída.

O medo causado no espectador pode ter sido revoltante de início, mas esse não foi uma episódio filmado em 11 semanas, por acaso. A riqueza em detalhes, tanto do roteiro como da combinação com as imagens, nos faz finalmente entender a grandeza e o significado dessa batalha dentro da série. Esse episódio é um daqueles em que só dá pra entender assistindo mais de uma vez e isso não é um demérito, pois eles poderiam muito bem focar na grandeza visual para impressionar e esquecer a edificação da obra.

A falta de visibilidade, por exemplo, aproximou o espectador da sensação do que estaria acontecendo se ele estivesse na batalha e ainda assim combinou-se de maneira verossímil ao que de fato o Rei da Noite, usaria como estratégia para derrubar seus inimigos.

Essa era uma batalha sem precedentes para a maioria dos personagens da série, ainda que o espectador conheça o inimigo desde a primeira cena, lá no episódio piloto, tratá-lo como uma grande ameaça desconhecida foi um fator que deu a identidade principal desse episódio como uma narrativa que situa-se entre terror, drama, suspense e ação.

A luta nos céus com os Dragões foi significativa para a série focar ainda mais no quanto personagens como a Daenerys, por exemplo, possui uma grande fidelidade a sua personalidade própria mas que sabe entregar seus sentimentos quando é preciso. Quando vê sua tropa sendo arrasada pelos walkers, a Rainha dos Dragões esquece a ameaça maior, mesmo alertada por um Jon Snow apavorado com a chegada iminente do Rei da Noite e se coloca em perigo para ajudar o seu povo. Isso serve mais uma vez, para aqueles que acham que a personagem teve a sua jornada prejudicada e até mesmo estragada.

Sim, Daenerys e Jon Snow acabaram não sendo tão úteis assim como principais dentro da batalha, mas ainda assim se provaram mais uma vez como personagens que mantém o protagonismo em seus devidos momentos.

A sensação de “não iremos abandonar o navio afundando” foi uma característica muito forte naqueles que lutaram até o fim e foi personificada em personagens como Brienne, Jaime, Verme Cinzento, Sam e todos aqueles que enfrentaram o exército de frente e que inacreditavelmente não morreram. Porém a maior dessas características estive presente em Sor Jorah, que deu tudo de si e mesmo estando no centro do inferno, estava sempre atento ao principal motivo pelo qual estava lutando, Daenerys.

Nesse ponto levamos em conta o roteiro, que soube costurar o episódio, trazendo o máximo possível de verossimilhança e não forçando seus personagens para momentos heroicos demais porém inacreditáveis. Isso representa a morte de personagens como Lyanna Mormont, por exemplo, algo que coube perfeitamente na construção de sua personalidade dentro da série, assim como o Cão que ficou paralisado pelo seu trauma do fogo mas conseguiu vencê-lo para salvar sua companheira, Arya que lutou até o fim.

Na verdade, Arya Stark foi a grande representante, do quanto a série constrói bem seus personagens, pois tudo aquilo a que fomos submetidos na jornada pessoal da irmã de Jon Snow, foi compensado perfeitamente dentro desse episódio e em detalhes.

A escolha final dos roteiristas, foi um divisor de águas para um episódio que poderia sim ser considerado sem bravura, pois colocar Arya para matar o Rei da Noite reforçou a identidade subversiva que sempre esteve presente na série. Ninguém esperava até que aconteceu e assim foram tantos outros momentos que acompanhamos por todos esses anos.

Entretanto, a clara falta de coragem de matar mais personagens importantes foi um fator que apesar de potencializar a alegria do cena final, decepcionou para um episódio que foi vendido como um acontecimento tão aterrador e desde o começo de tudo. E isso nos leva mais uma vez para o grande desfecho, agora da série em si, nos episódios finais, optando por subverter a narrativa e nos surpreender com o fato de que a série sabe sobre o que realmente sempre falou. Ainda que a dimensão da magia tenha aumentado consideravelmente ao longo das temporadas e principalmente na última, a trama política e sanguinária ainda é o foco e provavelmente o ponto de encerramento.

The Long Night” foi um episódio impressionante, aterrorizante e triste, se apresentando como um dos maiores eventos dentro da cultura pop e provando mais uma vez o quanto Game Of Thrones é um exemplo de construção de narrativa que se coloca lado a lado a grandes produções cinematográficas sem nenhuma surpresa, e sem medo de arriscar perder sua identidade para isso, o que não acontece.

HIGHLIGHTS:

1 - Tyrion e Bran se olharam de maneira estranha mais uma vez, o que nos deixa ainda mais encabulados sobre algo que apenas os dois sabem e que pode ser um grande ponto para os próximos episódios. Lembrem-se que no último episódio, o Lannister sentou para "conversar" com o Corvo de Três Olhos e isso não foi mostrado inteiramente.

2 – A exaltação das mulheres mais uma vez roubando a cena na série, com grandes destaques dentro de um episódio que foca em uma batalha extremamente violenta e assustadora.

3 – A cena em que os mortos se levantam outra vez comprovando a teoria das criptas e fazendo todo mundo gritar de medo

Acharam familiar?
Será?

4 - Daenerys ficando vulnerável fora do Drogon e pegando uma espada para se defender da maneira mais desajeitada possível e ainda assim cheia de coragem

5 – O verdadeiro objetivo do Rei da Noite:

      O obstáculo:

      

6 – Conclusões óbvias que acabariam com a trama do episódio e gastariam bem menos dinheiro: