Se no episódio anterior tínhamos nos deparado com o retorno da altíssima qualidade da série, aqui não é diferente. O nível é mantido e expandido para um fechamento de arco excepcional. 

Mando, Cara Dune e Greef Carga ainda estão encurralados. Não há saída, nem plano B. O exército de Moff Gideon está do lado de fora, e seus stormtroopers estão montando uma arma avassaladora. Captando o melhor clima do Western americano, Taika Waititi assume a direção do último episódio da série, explorando ainda mais os personagens e o potencial cômico-irônico que os stormtroopers e sua mira "sensacional" sempre representaram no universo de Star Wars. 

Gideon sabe quem está dentro da cantina. Cita o nome de um por um, inclusive o do Mando. Mergulhamos no passado do Caçador de Recompensas. Entendemos um pouco mais da sua trajetória e nos conectamos ainda mais com sua saga. O Baby Yoda, ainda nas mãos do Império, é resgatado pelo Droide IG-11, interpretado por Taika, que entrega uma das performances mais dramáticas da temporada, quando se sacrifica para salvar Mando e Baby Yoda. 

O episódio final consegue juntar todas as sensações que tivemos no decorrer dos 7 episódios anteriores, e entrega um arco muito consciente dos seus passos e do que queria contar. O fato da série conseguir ser algo pequeno dentro do extenso universo de Star Wars é louvável e realmente nos dá uma perspectiva muita nova e encantadora. Não temos Jedi, Sith, embates políticos e/ou ameaças para toda a galáxia. Essa forma contida de contar uma história pode ser o futuro e renovação dos derivados da saga. 

A forma como a série encerra os arcos dos personagens, é um jeito de fortalecer a jornada de cada um deles. É consciente e preciso. E apesar de parecer óbvio a necessidade de fechar os arcos, isso tem acontecido cada vez menos nas séries atualmente, devido a necessidade de deixar um grande gancho para a temporada seguinte. O que tiramos disso é a certeza de uma história completa, com início e fim. Uma história que representa um pontinho em toda a grandeza da saga, mas que não se furta de lembrar que faz parte dessa história também. Há citação aos Jedi, que são apenas lendas. Magos que usam uma espécie de magia, talvez. Ninguém sabe. Os elementos que vimos no cinema, estão lá, mas agora, o foco é outro. 

No geral, a série é acima da média. Deu uma caída por dois episódios, mas mesmo nessa queda de qualidade, ela ainda era superior a maioria das produções. É compreensível esse movimento temporário de expor demais tudo o que estava acontecendo na trama, e de ignorar algumas respostas que seriam possíveis. No entanto, o saldo é extremamente positivo. O primeiro produto Live-Action de Star Wars fora do cinema dá um banho de qualidade e consciência daquilo que representa, e sem bobear, é melhor que 70% dos filmes da saga. Há um futuro brilhante para a série. Muito se deve ao roteiro de Jon Favreau, e as direções que de uma forma ou outra, estarão sempre ligados à Star Wars. Destacam-se Dave Filoni, criador das séries animadas, Deborah Chaw, que será responsável pela série do Obi-Wan, e Taika Waititi que soube lidar muito bem com o drama e a leveza que a série busca.