A série vem caminhando com um saldo duvidoso. Depois dos dois primeiros episódios terem sido excelentes com uma progressão interessante e cara própria, o terceiro e quarto tiveram uma queda brusca de qualidade no roteiro, botando em cheque o futuro da primeira produção seriada em Live Action de Star Wars. Teoricamente, o episódio 5 chegaria para desempatar essa briga e definir de fato o conceito e coesão que a série quer ter, no entanto, se o levarmos em conta, o desempate não é bom para os fãs desse rico universo. 

Porém, agora, com mais de metade da série já exibida, é possível fazer um raio-x e entender melhor qual é o esquema adotado para a produção. Ao contrário do que pensamos, The Mandalorian não segue um arco claro, grande e cheio de conflitos gritantes, como deu a entender. Se simplificarmos ao máximo essa estrutura, podemos definí-lo como a aventura semanal em torno da fuga do Mandaloriano com o Baby Yoda.

Isso não é nem de longe uma coisa negativa, porém nos preocupa, pois o risco de esvaziar o conteúdo narrativo para focar apenas na jornada da semana é muito alto, e convenhamos, depois do que vimos no começo da série, a expectativa foi lá no teto. E pasmem, até mesmo a presença do nosso tão amado Yodinha já está começando a ficar gratuito. Não há de fato uma evolução de personalidade nem de interação entre ele e o Mandaloriano, e isso com certeza é ruim, pois há um potencial gigantesco a se explorar dessa relação. 

Mas enfim, no episódio da semana finalmente chegamos em Tatooine

Mando pousa em Tatooine e logo de cara temos nosso primeiro grande fan-service. O mesmo plano, a mesma posição de câmera, a mesma pose. Um lembrete gritante sobre Han Solo. Toro Calican é um novato na Guilda dos caçadores, e oferece ao Mandaloriano um trabalho arriscado: Capturar Fennec Shand, interpretada pela maravilhosa Ming-Na Wen de Agents Of Shield. Esse confronto entre Mando e Fennec é uma analogia à Uma Nova Esperança, com a desvantagem da rasa construção dos novos personagens da série. De fato, a única que rouba a cena é Peli Motto, uma mecânica simpática que vira babá do Baby Yoda. No entanto, apesar de nos agraciar com sua presença, fica claro como ela é apenas uma instrumento para evitar que Mando fique carregando o Yodinha pelo meio do deserto, mesmo que ele já o tenha deixado sozinho na nave antes... é, não faz sentido. 

O resumo é: The Gunslinger é um bom episódio, mas fica abaixo para o padrão que The Mandalorian estabeleceu nos dois primeiros capítulos. Há pouca progressão e por vezes, parece que o roteiro está mais interessado em referenciar os filmes da saga e reviver alguns fan-services e e easter eggs do que propriamente mergulhar em sua própria mitologia e potência. Pelo menos os diálogos voltaram a largar os clichês e isso é um ponto positivo.