Vamos fazer diferente desta vez. Iremos passar pela trama do episódio e depois comentar o que o torna tão especial para o universo de Star Wars.

O sétimo episódio começa com Greef Carga entrando em contato com Mando para fazer uma parceria temporária entre os dois, em uma tentativa de controlar as forças do Império que estão comandando o planeta Nevarro. Apesar de desconfiar das intenções de Greef, o Mandaloriano aceita a oferta e segue em busca de velhos conhecidos para ajudá-lo com o plano. No caminho, nos reencontramos com Cara Dune e Kuill. O plano é usar o Baby Yoda para atrair o Cliente até uma armadilha infalível. 

Ao chegar na cidade, Carga, que pretendia eliminar o Mandaloriano e entregar o bebê mais fofo da galáxia para o Império, desiste de cometer a traição. A mudança de intenção veio da noite anterior, quando após um ataque de criaturas selvagens voadoras que o feriram gravemente, foi salvo pelo Yodinha usando a força para curá-lo. Com o planeta repleto de Stormtrooper, a estratégia para a armadilha precisa ser repensada com mais cautela. 

Kuill ficou responsável por levar o Baby Yoda de volta à nave para mantê-lo longe das forças imperiais. O restante da equipe ficou responsável por levar apenas o berço dele, claramente vazio, pra enganar os troopers e chegarem até o cliente. Mando, Cara Dune e Carga se veem em uma situação complexa. Estão completamente cercados por stormtroopers encurralados dentro de um cantina. O cliente pede ver o Baby Yoda, mas antes que abrisse o berço, recebe uma mensagem do verdadeiro vilão da temporada: Moff Gideon. O responsável pelas tropas imperiais em Nevarro. 

A mensagem é interrompida por uma rajada de tiros vindo do lado de fora da cantina. O local fica completamente destruído. Os Stormtroopers e até o cliente, morrem. Mando, Dune e Caga seguem vivos, pois conseguiram se esconder antes do ataque. Eles tentam avisar Kuill, que por sua vez, segue a caminho da nave de Mando para proteger nosso Yodinha. No entanto, a mensagem é interceptada por troopers, que partem em busca da nave de Mando.

Do lado de fora um casos. Além do local estar repleto de Death Troopers, há também uma TIE Fighter impecavelmente nova, que traz Gideon. O episódio termina com um breve discurso enquando a equipe de Mando segue encurralada. Próximo a nave de Mando, Kuill morto estirado no chão e Baby  Yoda nas mãos do Império.

Em questão de estrutura, o episódio funciona muito bem pois dá continuidade e coesão para tudo o que foi tratado até então. Ele reúne as pontas soltas e cria uma unidade que avança a história e impacta em sua capacidade dramática/épica. Acompanhamos quase de trás para frente essa evolução de história, e finalmente é possível traçar uma rota mais identificável e cinematográfica. Sendo assim, é possível compreender a motivo da "enrolação" de alguns episódios anteriores, como o 4 e 5, quando vemos Mando conhecendo Cara Dune.

Os 3 primeiros episódios bebem do Faroeste/Western e filmes de Samurais, em uma jornada silenciosa de mergulho de mitologia. Há o pilar da narrativa, o lobo solitário, que ao se calar dá uma dimensão muito maior para aquele universo que o abriga. 

Os 3 episódios seguintes (4, 5 e 6), seguem uma dinâmica mais comum, onde o protagonista se comunica mais através dos diálogos, expondo excessivamente suas intenções. O roteiro se empobrece, mas parece ser fundamental - não o único caminho - para construir algo que seria desenvolvido melhor mais adiante. É um caminho usado nas animações e que funciona melhor naquele meio. 

Aqui no sétimo episódio, há uma junção dessas duas "metodologias de abordagem", e muito se deve também à direção da Deborah Chaw (responsável pela série do Obi-Wan Kenobi), pois ela consegue equilibrar essas duas formas de construção de narrativa ao ponto de criar uma química muito bonita de se ver quando os personagens principais se juntam em cena. É uma conexão muito rápida. A gente passa a gostar dos personagens depois de um olhar ou uma fala simples. Essa relação estabelecida, seja com Kuill ou Cara Dune, faz uso dos episódios anteriores quando os conhecemos, mas explora uma vertente que ainda não conhecíamos. Funciona! 

Além disso, a duração um pouco maior do episódio, 38 minutos, é suficiente para construir uma tensão que vai crescendo aos poucos em uma escala quase imperceptível mas que ao mesmo tempo te deixa ansioso e nervoso, sempre alerta com os perigos que estão a frente. 

Bom, o último episódio sai amanhã. Esperamos que haja uma conclusão de arco e que entreguem as respostas para as grandes perguntas da temporada, inclusive sobre a origem do Baby Yoda. Seria uma pena deixarem isso como um gancho demorado para o segundo ano da série. Me ajuda, Disney.