O terceiro episódio de The Mandalorian é como um mergulho na estrutura dos filmes de samurais, onde tínhamos toda uma jornada pautada na compreensão dos códigos de conduta, e por vezes, milenares, de um povo. 

É aqui que compreendemos um pouco mais sobre os Mandalorianos. Os lendários guerreiros agora vivem escondidos da sociedade em uma espécie de quartel-general temporário em uma rotina nômade após o fim de seu planeta pelas mãos do Império. De fato, esse parece ser o pontapé inicial da história, e a partir daqui entraremos em uma jornada com mais ação, mitologia e descobertas sobre o povo de Mandalore, uma vez que Mando se tornou alvo principal de todo o setor da galáxia. 

Mando entrega o baby Yoda para Werner Herzog, cumprindo sua missão, e recebe o pagamento em Beskar, o suficiente para a confecção de uma nova armadura. Assim como a duração da série a aproxima de uma progressão vista nas animações, essa complementação de sua armadura, coloca a série lado a lado com upgrades de videogames. Isso não é necessariamente um ponto negativo, apenas algo que afasta The Mandalorian de uma linguagem que vai além de algumas obviedades e clichês.

Falando em clichês, temos mais um aqui. Como já era de esperar e inclusive, tínhamos visto nos dois episódios anteriores, a série explora o arquétipo do anti-herói durão e cheio de certezas revelando aquele doce coração que a gente ama ver na tela, principalmente quando baby Yoda está em cena. Isso é visto quando Mando decide resgatar o bebê e isso resulta nas melhores cenas de ação da série até aqui. - É verdade que ainda não tivemos muitas, mas ainda assim, foram as melhores. 

Uma delas, com certeza, aqueceu o coração dos fãs da Saga. Ver todos os Mandalorianos voltando para a superfície com suas armaduras que voam e ajudando Mando a escapar com o Baby Yoda, parece um sonho, uma grande referência as animações Rebels e Clone Wars, que mantém o alto nível visto nas outras produções. A direção de Deborah Chow, que irá dirigir a série do Obi-Wan se referencia na estrutura dos faroestes, explorando planos e coreografias que enchem a tela e exploram uma estética bela e simples. É lindo. 

O episódio parece até aqui, o mais equilibrado, entre desenvolvimento de personagem e expansão de mitologia, flertando com o cinema clássico de Western e cenas de ação que são muito bem filmadas e coreografadas. Apesar dos clichês, a série finalmente começa a andar de fato e não devemos mais caminhar à margem do que queremos ver, que se resume a: Ação, novos personagens, respostas e beleza audiovisual.